Roma: A Saga da Cidade Eterna que Moldou o Ocidente
Das suas origens lendárias a um império que abrangeu três continentes, a história de Roma é uma épica de ambição, inovação e poder que deixou uma marca indelével na civilização ocidental. Ao longo de mais de doze séculos, esta cidade-estado na Península Itálica transformou-se de uma modesta monarquia numa república dominante e, finalmente, num império colossal, cujo legado em direito, arquitetura, língua e governação perdura até aos dias de hoje.
As Origens Míticas e a Era dos Reis (753 a.C. – 509 a.C.)
A história de Roma começa envolta em mito. Segundo a lenda, a cidade foi fundada a 21 de abril de 753 a.C. pelos irmãos gémeos Rómulo e Remo, descendentes do herói troiano Eneias. Abandonados à nascença e amamentados por uma loba, os irmãos personificam a força e a resiliência que caracterizariam Roma. Numa disputa pelo controlo da nova cidade, Rómulo matou Remo e tornou-se o primeiro rei de Roma.
Durante este período monárquico, que durou cerca de 244 anos, Roma foi governada por uma sucessão de sete reis. Inicialmente uma pequena aldeia de pastores e agricultores nas colinas junto ao rio Tibre, a cidade gradualmente expandiu a sua influência sobre as tribos vizinhas, como os latinos e os sabinos. Sob o domínio dos últimos três reis, de origem etrusca, Roma desenvolveu-se como um importante centro urbano e comercial. Foi nesta época que surgiram as primeiras grandes obras de infraestrutura, como a Cloaca Máxima, um avançado sistema de esgotos.
A República Romana: Conquista e Conflito (509 a.C. – 27 a.C.)
Em 509 a.C., uma revolta liderada pela aristocracia pôs fim à monarquia e estabeleceu a República Romana. Este novo sistema de governo, concebido para evitar a tirania de um único governante, era liderado por dois cônsules eleitos anualmente, aconselhados por um senado composto maioritariamente por patrícios, a elite aristocrática.
Os primeiros séculos da República foram marcados por um intenso conflito social entre patrícios e plebeus, a classe trabalhadora. Através de uma série de lutas e concessões, os plebeus gradualmente conquistaram direitos políticos e sociais, incluindo a criação do cargo de tribuno da plebe para defender os seus interesses e a codificação das leis na Lei das Doze Tábuas.
Externamente, a República Romana foi uma potência militar expansionista. Através de uma série de guerras, como as Guerras Púnicas contra Cartago e as Guerras da Macedónia, Roma conquistou a Península Itálica e expandiu o seu domínio por todo o Mediterrâneo, que os romanos orgulhosamente chamavam de Mare Nostrum (“O Nosso Mar”). Esta expansão trouxe imensas riquezas e escravos para Roma, mas também gerou profundas desigualdades sociais e instabilidade política.
O último século da República foi um período de grande turbulência, marcado por guerras civis, revoltas de escravos, como a liderada por Espártaco, e a ascensão de generais poderosos como Júlio César. A ambição de César e a sua posterior ditadura levaram ao colapso das instituições republicanas, culminando no seu assassinato em 44 a.C. e numa nova luta pelo poder.
O Império Romano: De Augusto à Pax Romana (27 a.C. – 476 d.C.)
Da crise da República emergiu o Império Romano. Em 27 a.C., Otaviano, sobrinho-neto e herdeiro de Júlio César, recebeu o título de Augusto do Senado, tornando-se o primeiro imperador de Roma. O seu longo e próspero reinado inaugurou um período de relativa paz e estabilidade conhecido como a Pax Romana, que durou cerca de 200 anos.
Durante este período, o império atingiu a sua máxima extensão territorial, desde a Britânia no noroeste até à Mesopotâmia no leste. A administração imperial foi centralizada e reorganizada, foram construídas estradas, aquedutos e cidades por todo o império, e o comércio floresceu. A cultura romana, fortemente influenciada pela grega, atingiu o seu apogeu, com notáveis avanços na literatura, com poetas como Virgílio e Horácio, e na arquitetura, com a construção de monumentos icónicos como o Coliseu e o Panteão.
A sociedade romana era complexa e estratificada, com o imperador no topo, seguido pelos senadores, a ordem equestre, os cidadãos comuns, e na base, uma vasta população de escravos que eram a força motriz da economia. A vida quotidiana variava enormemente entre a opulência da elite e a simplicidade da maioria da população.
A Crise e a Queda do Império do Ocidente
A partir do século III d.C., o Império Romano entrou num período de profunda crise. Uma combinação de fatores internos e externos minou a sua estabilidade. A instabilidade política, com uma rápida sucessão de imperadores muitas vezes assassinados, as guerras civis, a crise económica marcada pela inflação e pela diminuição da produção, e a crescente pressão nas fronteiras por parte de povos que os romanos designavam como “bárbaros”, levaram a um declínio gradual.
O imperador Diocleciano tentou reformar o império, dividindo-o em duas partes, Oriental e Ocidental, para facilitar a sua governação. Mais tarde, Constantino, o Grande, fundou uma nova capital no Oriente, Constantinopla (a moderna Istambul), e foi o primeiro imperador a converter-se ao cristianismo, uma religião que se tinha vindo a expandir por todo o império e que viria a moldar a futura identidade europeia.
No entanto, as pressões sobre o Império Romano do Ocidente continuaram a aumentar. As chamadas “invasões bárbaras”, que na realidade foram migrações em massa de povos como os godos, vândalos e hunos, que por vezes se transformavam em conflitos violentos, sobrecarregaram as defesas romanas. Em 410, a própria cidade de Roma foi saqueada pelos visigodos, um evento chocante que simbolizou a vulnerabilidade do império. Finalmente, em 476 d.C., o último imperador romano do Ocidente, Rómulo Augústulo, foi deposto pelo chefe germânico Odoacro, um evento que tradicionalmente marca o fim do Império Romano do Ocidente.
O Legado Duradouro de Roma
Apesar da queda do seu império ocidental, o legado de Roma perdurou e continuou a influenciar profundamente o desenvolvimento da civilização ocidental. O Império Romano do Oriente, mais tarde conhecido como Império Bizantino, sobreviveu por quase mais mil anos.
As contribuições de Roma para o mundo moderno são vastas e diversas. O Direito Romano constitui a base de muitos sistemas jurídicos contemporâneos. As línguas latinas, como o português, o espanhol, o francês, o italiano e o romeno, evoluíram do latim vulgar falado pelos romanos. A engenharia e a arquitetura romanas, com as suas estradas, aquedutos, pontes e edifícios monumentais, continuam a ser admiradas pela sua durabilidade e design. A sua organização militar e administrativa influenciou estados e impérios ao longo da história. E, talvez o mais significativo, a expansão do cristianismo sob o Império Romano moldou a paisagem religiosa e cultural da Europa e de grande parte do mundo.
A história de Roma é, portanto, mais do que a história de uma cidade ou de um império; é uma narrativa fundamental para a compreensão das raízes da civilização ocidental, um testemunho do engenho humano, da sua capacidade de construir e, inevitavelmente, da sua transitoriedade.
Roma Antiga
Coliseu
A Grandiosidade da Engenharia Romana
O Coliseu, cujo nome original é Anfiteatro Flaviano, é o maior e mais famoso símbolo do Império Romano e uma das maravilhas do mundo moderno. Localizado no coração de Roma, a sua escala e o engenho da sua construção continuam a fascinar engenheiros, historiadores e turistas quase dois milénios após a sua inauguração.
A sua estrutura é uma elipse colossal, com 189 metros de comprimento e 156 metros de largura, e uma altura que chegava a quase 50 metros. A fachada externa é composta por três andares de arcadas, sobrepostas e adornadas por colunas de diferentes estilos arquitetónicos: o robusto estilo toscano no piso térreo, o jónico no segundo e o mais ornamentado coríntio no terceiro.
Este anfiteatro monumental foi projetado para ser incrivelmente eficiente. Com 80 entradas e saídas numeradas, chamadas vomitoria, podia acolher entre 50.000 e 80.000 espectadores, que conseguiam entrar e sair em questão de minutos. O interior era dividido hierarquicamente: os assentos mais próximos da arena eram reservados ao Imperador e aos senadores, enquanto os cidadãos comuns e as mulheres ocupavam os níveis superiores.
No centro ficava a arena, um piso de madeira coberto de areia (a palavra “arena” vem do latim para areia) para absorver o sangue. Por baixo da arena, existia o hipogeu, um complexo sistema de túneis, celas e elevadores em dois níveis. Aqui, gladiadores e animais selvagens aguardavam antes de serem içados para a arena através de alçapões, criando efeitos cénicos surpreendentes para o público.
De Símbolo de Poder a Ruína Majestosa
A história do Coliseu é tão dramática quanto os espetáculos que acolheu.
- Construção e Inauguração (72-80 d.C.): A construção do Coliseu começou sob o imperador Vespasiano em 72 d.C., no local de um lago artificial que fazia parte da extravagante Domus Aurea do seu predecessor, o infame imperador Nero. Ao construir um anfiteatro público neste local, Vespasiano devolvia simbolicamente a terra ao povo de Roma. A obra foi financiada com os tesouros saqueados de Jerusalém e construída com o trabalho de dezenas de milhares de escravos judeus. Vespasiano não viveu para ver a sua conclusão; a inauguração foi presidida pelo seu filho, Tito, em 80 d.C., com 100 dias de jogos inaugurais que incluíram combates de gladiadores, caças de animais e até batalhas navais simuladas (naumaquias), para as quais a arena era inundada.
- O Auge: A Política do “Pão e Circo”: Durante mais de quatro séculos, o Coliseu foi o epicentro do entretenimento em Roma. Os espetáculos eram gratuitos, financiados pelo imperador e pela elite como forma de manter a população satisfeita e distraída dos problemas políticos e sociais – uma estratégia conhecida como “pão e circo”. Os eventos eram variados e brutais:
- Combates de Gladiadores (Munera): Lutas até à morte entre gladiadores treinados.
- Caçadas de Animais (Venationes): Caçadas encenadas com animais exóticos como leões, tigres e elefantes.
- Execuções Públicas: Criminosos e inimigos do estado eram executados de formas cruéis, por vezes atirados a animais selvagens (ad bestias).
- Declínio e Abandono: Com a ascensão do Cristianismo e a crise económica que assolou o Império Romano, os custos de manutenção dos jogos tornaram-se insustentáveis. As últimas lutas de gladiadores registadas ocorreram por volta de 435 d.C. e as últimas caças de animais em 523 d.C. Após o fim dos espetáculos, o Coliseu entrou num longo período de abandono.
- De Fortaleza a Pedreira: Na Idade Média, a estrutura foi adaptada para vários usos: tornou-se uma fortaleza para famílias nobres, um cemitério e até um local de habitação e oficinas. No entanto, o seu maior inimigo foi a própria Roma. A partir do século XIV, o Coliseu tornou-se uma vasta pedreira a céu aberto. As suas pedras, mármores e grampos de ferro foram sistematicamente saqueados e reutilizados na construção de inúmeros edifícios por toda a cidade, incluindo a Basílica de São Pedro. Os buracos que hoje se veem na fachada são, em grande parte, o resultado da remoção desses grampos metálicos.
- Preservação e Símbolo Moderno: O que salvou o Coliseu da destruição total foi a sua consagração pela Igreja no século XVIII como um local sagrado em memória dos mártires cristãos que ali teriam morrido (embora não haja consenso histórico sobre a escala desses martírios no anfiteatro). A partir do século XIX, iniciaram-se os esforços de preservação e restauração.
Hoje, apesar de estar em ruínas, o Coliseu permanece como o testemunho mais imponente da grandeza e da complexidade da civilização romana, atraindo milhões de visitantes todos os anos e servindo como um poderoso símbolo global contra a pena de morte.
Fórum Romano
O Coração Pulsante da Roma Antiga
O Fórum Romano (em latim, Forum Romanum) foi, durante séculos, o indiscutível centro da vida pública e o coração do Império Romano. Mais do que uma simples praça, era um vasto e movimentado complexo de edifícios, templos, monumentos e ruas onde convergiam a política, a justiça, o comércio, a religião e a vida social da cidade e do império.
Localizado no vale entre as colinas do Palatino e do Capitólio, o Fórum era o palco dos mais importantes acontecimentos. Imagine-o no seu auge: senadores a debater na Cúria (o edifício do Senado), advogados a apresentar os seus casos nas grandiosas basílicas, sacerdotes a realizar rituais nos templos, comerciantes a apregoar os seus produtos e cidadãos a passear pela Via Sacra, a principal artéria do Fórum.
Hoje, o Fórum Romano é um dos sítios arqueológicos mais importantes do mundo. Ao visitá-lo, caminha-se entre as ruínas e os vestígios desta antiga glória. Embora exija alguma imaginação para reconstruir mentalmente a sua magnificência, ainda se podem admirar estruturas impressionantes, como:
- O Arco de Tito: Construído para comemorar a vitória sobre a Judeia e a destruição de Jerusalém.
- O Arco de Septímio Severo: Um imponente arco triunfal de três passagens.
- O Templo de Saturno: Do qual restam oito icónicas colunas, foi um dos templos mais antigos e albergava o tesouro do estado.
- A Casa das Vestais: As ruínas da residência das virgens vestais, as sacerdotisas que mantinham acesa a chama sagrada de Roma.
- A Basílica de Maxêncio e Constantino: As enormes ruínas abobadadas do último e maior dos edifícios administrativos do Fórum.
De Pântano a Centro do Mundo
A história do Fórum é a própria história do crescimento de Roma.
- Origens: Originalmente, a área do Fórum era um vale pantanoso e inabitável, usado como cemitério pelas primeiras tribos que viviam nas colinas circundantes. O ponto de viragem ocorreu no século VII a.C. com a construção da Cloaca Maxima, um dos primeiros grandes sistemas de esgotos do mundo, que drenou o pântano e tornou a terra utilizável.
- Período Republicano (509 a.C. – 27 a.C.): Com a drenagem da área, o local tornou-se um ponto de encontro natural. Foi durante a República que o Fórum se desenvolveu e adquiriu a sua função central. Foram construídos os primeiros templos, basílicas (grandes edifícios públicos para tribunais e negócios) e a Cúria. Tornou-se o local definitivo para discursos públicos, julgamentos e as mais importantes cerimónias religiosas.
- Período Imperial (27 a.C. – 476 d.C.): Com a ascensão de Augusto, o primeiro imperador, o Fórum foi monumentalizado. Os edifícios de tijolo foram revestidos a mármore, e novos templos e monumentos foram erguidos para glorificar o imperador e a sua família. Embora os imperadores posteriores tenham construído os seus próprios fóruns (os Fóruns Imperiais) nas proximidades, o Fórum Romano original manteve sempre a sua importância simbólica e religiosa.
- Abandono e O “Campo Vaccino”: Após a queda do Império Romano do Ocidente, o Fórum entrou num longo e lento declínio. Com a diminuição da população, a falta de manutenção e os terramotos, os edifícios ruíram. Durante a Idade Média e o Renascimento, o local foi sistematicamente pilhado, tal como o Coliseu. O seu mármore e as suas pedras foram removidos para construir novas igrejas e palácios por toda a Roma. Gradualmente, séculos de detritos e terra cobriram as ruínas, e o glorioso centro do império transformou-se num campo de pastagem para gado, passando a ser conhecido localmente como Campo Vaccino (Campo das Vacas).
- Redescoberta: A redescoberta do Fórum começou lentamente durante o Renascimento, com artistas e arquitetos a estudarem as poucas ruínas visíveis. No entanto, foi apenas nos séculos XIX e XX que se realizaram escavações arqueológicas sistemáticas, que removeram as camadas de terra e trouxeram à luz o complexo que vemos hoje.
Atualmente, o Fórum Romano, juntamente com o Coliseu e o Monte Palatino, forma o parque arqueológico mais visitado de Itália, oferecendo um vislumbre direto e poderoso da vida quotidiana, da política e da religião que moldaram a civilização ocidental.
Dicas para a Visita
- Use Calçado Confortável: A área do Fórum é vasta, com terreno irregular e calçadas antigas. Vai andar bastante.
- Proteja-se do Sol: A maior parte do Fórum é a céu aberto, com poucas sombras. Leve chapéu, protetor solar e água, especialmente durante os meses de verão.
- Considere um Guia: As ruínas podem ser difíceis de interpretar sem contexto. Contratar um guia turístico ou usar um audioguia pode enriquecer imensamente a sua visita, trazendo a história do local à vida.
- Tempo de Visita: Reserve pelo menos 2 a 3 horas para explorar o Fórum Romano com calma, sem contar com o tempo para o Coliseu e o Monte Palatino.
- Melhor Ponto de Vista: Para uma das melhores vistas panorâmicas sobre todo o Fórum Romano, suba ao Monte Palatino ou aos Museus Capitolinos na colina vizinha do Capitólio.
O Monte Palatino
O Berço de Roma e a Residência dos Imperadores
O Monte Palatino (Palatium em latim) é a mais central das sete colinas de Roma e uma das partes mais antigas da cidade. Elevando-se a cerca de 40 metros acima do Fórum Romano de um lado e do Circo Máximo do outro, o Palatino é um vasto e tranquilo parque arqueológico, repleto de ruínas imponentes e pinheiros.
Mais do que apenas um conjunto de ruínas, o Palatino foi o primeiro núcleo da cidade de Roma e, mais tarde, tornou-se o bairro residencial mais exclusivo da antiguidade. Durante o Império, a colina foi transformada num único e gigantesco complexo de palácios imperiais, tão grandiosos que a própria palavra “palácio” em muitas línguas (incluindo o português) deriva do nome Palatium.
Ao visitar o Palatino hoje, passeia-se por entre os vestígios destas residências opulentas, jardins e estádios privados. Alguns dos pontos de interesse mais notáveis incluem:
- As Cabanas de Rómulo: Uma reconstrução de três cabanas da Idade do Ferro, que se acredita serem semelhantes à casa original do lendário fundador de Roma.
- A Casa de Augusto e a Casa de Lívia: As residências surpreendentemente modestas (mas com frescos lindíssimos) do primeiro imperador de Roma, Augusto, e da sua esposa, Lívia.
- O Palácio Flaviano (Domus Flavia): A grandiosa parte pública do vasto palácio construído pelo imperador Domiciano, usada para cerimónias e audiências.
- O Palácio Augustano (Domus Augustana): A ala residencial privada do palácio de Domiciano.
- O Estádio de Domiciano: Uma enorme estrutura em forma de estádio que provavelmente servia como um jardim privado para a família imperial.
- Vistas Panorâmicas: O Palatino oferece algumas das melhores vistas de Roma, com panoramas deslumbrantes sobre o Fórum Romano e o Coliseu.
De Origens Lendárias a Símbolo de Poder
A história do Monte Palatino é a história do poder em Roma.
- A Fundação de Roma: Segundo a lenda, foi no Monte Palatino que os gémeos Rómulo e Remo foram encontrados e amamentados pela loba na famosa gruta conhecida como Lupercal. Foi também aqui que Rómulo, após matar o seu irmão, fundou o primeiro povoado que daria origem a Roma, em 753 a.C. As evidências arqueológicas confirmam que o Palatino foi, de facto, uma das primeiras áreas de Roma a ser habitada, com vestígios que remontam ao século X a.C.
- Período Republicano: Durante a República, o Palatino tornou-se o bairro residencial da elite romana. Políticos e aristocratas proeminentes, como Cícero e Marco António, tinham as suas casas (domus) aqui, atraídos pela sua localização central e pelo ar mais puro, longe da agitação do Fórum.
- A Era dos Imperadores: O ponto de viragem para o Palatino ocorreu com o imperador Augusto. Nascido na colina, ele escolheu estrategicamente viver aqui após se tornar o único governante de Roma. Em vez de construir um palácio extravagante, comprou várias casas e uniu-as, vivendo de forma relativamente modesta para vincar a sua imagem de “primeiro cidadão” e não de monarca absoluto.Os seus sucessores, no entanto, não foram tão contidos. Imperadores como Tibério, Calígula e Nero expandiram as construções, e foi Domiciano, no final do século I d.C., quem transformou toda a colina num único e colossal complexo palaciano, que se tornou a residência oficial dos imperadores romanos durante os 300 anos seguintes.
- Declínio e Redescoberta: Tal como o Fórum Romano, o Palatino foi abandonado após a queda do império. Durante a Idade Média, as suas ruínas foram ocupadas por igrejas, conventos e fortalezas. No Renascimento, as famílias nobres, como os Farnese, construíram jardins botânicos e villas sobre as ruínas imperiais.As escavações arqueológicas sistemáticas só começaram no século XIX, revelando gradualmente a complexa estratificação de palácios e residências que hoje podemos visitar.
Atualmente, o Monte Palatino é uma parte essencial do parque arqueológico do Colosseo, oferecendo um contraste sereno e verdejante com a agitação do Fórum e do Coliseu, e um vislumbre fascinante do local onde a história de Roma começou e onde o seu poder atingiu o auge.
O Panteão
Uma Obra-Prima da Engenharia e da Harmonia
O Panteão, visto de fora, apresenta-se com um pórtico tradicional de estilo greco-romano, com 16 imponentes colunas coríntias de granito que sustentam um frontão triangular. Esta entrada clássica, no entanto, esconde deliberadamente a maravilha revolucionária que se encontra no seu interior: uma vasta rotunda (um espaço cilíndrico) coberta pela maior e mais espetacular cúpula de betão não armado do mundo.
O interior do Panteão é uma experiência arquitetónica de tirar o fôlego. O espaço é uma esfera perfeita: o diâmetro da cúpula, de 43,3 metros, é exatamente igual à altura do edifício desde o chão até ao topo. Esta harmonia geométrica cria uma sensação de equilíbrio e imensidão.
A característica mais famosa e genial do Panteão é o óculo (oculus), uma abertura circular de 9 metros de diâmetro no topo da cúpula, que é a única fonte de luz natural do edifício. Este “olho” aberto para o céu não só cumpre uma função simbólica, conectando o templo aos deuses, mas também é um golpe de mestre da engenharia, pois alivia o peso no ponto mais fraco da cúpula. Quando chove, a água entra pelo óculo e é escoada por um sistema de drenagem quase impercetível no chão ligeiramente convexo. Durante o dia, um feixe de luz solar atravessa o óculo e move-se lentamente pelo interior do Panteão, funcionando como um gigantesco relógio de sol.
De Templo Pagão a Igreja Cristã
A longa vida do Panteão deve-se, em grande parte, à sua história única de adaptação e uso contínuo.
- O Primeiro Panteão de Agripa: O Panteão original foi construído por volta de 27 a.C. pelo cônsul Marco Vipsânio Agripa, genro do imperador Augusto. Era um templo retangular, que foi destruído por um incêndio em 80 d.C.
- A Reconstrução de Adriano (c. 126 d.C.): O edifício que vemos hoje foi completamente reconstruído pelo imperador Adriano por volta de 126 d.C. Numa homenagem ao construtor original, Adriano manteve a inscrição de Agripa no frontão: “M. AGRIPPA L. F. COS. TERTIVM FECIT” (“Marco Agripa, filho de Lúcio, cônsul pela terceira vez, fez isto”). Este facto confundiu os historiadores durante séculos, que pensavam que o edifício era o original de Agripa. O nome “Panteão” deriva do grego e significa “de todos os deuses”, indicando que era um templo dedicado a todas as divindades romanas.
- A Conversão que o Salvou: A principal razão pela qual o Panteão sobreviveu quase intacto ao longo dos séculos foi a sua conversão em igreja cristã. Em 609 d.C., o imperador bizantino Focas doou o edifício ao Papa Bonifácio IV, que o consagrou como a Igreja de Santa Maria e os Mártires (Santa Maria ad Martyres). Esta conversão protegeu-o do abandono e da pilhagem de materiais que destruíram tantos outros monumentos romanos, como o Fórum e o Coliseu.
- Panteão Moderno: Túmulo de Reis e Artistas: Durante o Renascimento, a perfeição arquitetónica do Panteão foi uma grande fonte de inspiração para artistas e arquitetos, incluindo Brunelleschi, que estudou a sua cúpula para projetar a da Catedral de Florença. O Panteão foi também escolhido como o local de descanso final para figuras ilustres. O mais famoso é o mestre renascentista Rafael, cujo túmulo se encontra no interior. Após a unificação de Itália, o Panteão tornou-se também o mausoléu dos dois primeiros reis de Itália: Vittorio Emanuele II e Umberto I.
Até hoje, o Panteão continua a ser um edifício em uso, funcionando como igreja e como um dos monumentos mais visitados do mundo, um testemunho silencioso da glória de Roma que atravessou quase dois milénios de história.
Praças e Fontes Icónicas
- Fontana di Trevi: A fonte barroca mais famosa do mundo. A tradição diz que se atirar uma moeda por cima do ombro, garante o seu regresso a Roma.
- Piazza Navona: Uma elegante praça com três magníficas fontes, sendo a central, a Fontana dei Quattro Fiumi de Bernini, a mais famosa. É um local vibrante com artistas de rua e cafés.
- Piazza di Spagna: Conhecida pela sua famosa escadaria (Scalinata di Trinità dei Monti) que leva à igreja com o mesmo nome. É um local popular para sentar e observar o movimento.
Outros Locais de Interesse
- Castelo Sant’Angelo: Um imponente mausoléu construído para o imperador Adriano que mais tarde foi transformado em fortaleza papal. Oferece vistas panorâmicas incríveis da cidade e do Vaticano.
- Trastevere: Um bairro charmoso e boémio, com ruas estreitas de paralelepípedos, edifícios cobertos de hera, e uma abundância de restaurantes e bares. É o local perfeito para jantar e sentir a atmosfera romana.
- Jardins da Villa Borghese: Um vasto e belo parque, ideal para uma pausa relaxante. Alberga a famosa Galeria Borghese, com obras-primas de Bernini e Caravaggio (a reserva é obrigatória e deve ser feita com muita antecedência).
Esta lista cobre os pontos mais emblemáticos, mas a verdadeira magia de Roma está também em perder-se pelas suas ruas e descobrir recantos inesperados. Desfrute da sua visita à Cidade Eterna!
